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18 dezembro 2008

Na falta de tempo para as reflexões fica mais um comentário ( meu )

À primeira vista, se pedisse a outras pessoas que descrevessem o meu 2008 se calhar diriam de semblante carregado, que foi um ano terrível, eu digo-te que foi um ano de mudanças interiores ímpares. Foi duro sim, mas acredito que teve o seu propósito, o de dar mais valor à vida, aos pequenos momentos, aquilo que realmente importa. Quando formos velhinhas não serão as horas " gastas " no trabalho que quereremos recordar, nem lamentar as horas não usadas com o mais precioso, são os momentos em que realmente nos sentimos em paz, em harmonia connosco e os nossos, de bem com a vida.
Se não soubermos criar esses momentos e reconhecê-los, só teremos a lamentar, não a recordar :)
No meu caso, dou graças a Deus por me ter deixado viver o 2008, ainda que com doenças graves, com hospitalizações, com incertezas. Hoje consigo estar aqui para dizer como foi este ano e isso é realmente uma dádiva. Como sabes, tive grandes hipóteses de o não poder fazer.

12 novembro 2008

Reflexões

Actualmente falam-se de alguns casos de tuberculose no Norte do país. São entrevistadas algumas das pessoas que fazem a profilaxia da tuberculose mesmo não tendo prova de tuberculose activa. Falam da discriminação de que são alvo por viveram em pequenas aldeias onde as pessoas desconhecem quer as formas de transmissão, quer a doença em si.
Já passei pelo caso e felizmente, como não estava a ser tratada num hospital público, não tive de fazer a medicação presencial, isto é, a dirigir-me diariamente ao hospital para tomar os medicamentos com uma enfermeira junto para se certificar que o fazia ( que nos hospitais públicos é obrigatório ). Fazia a minha medicação em casa sem ter de enfrentar o estigma de entrar num serviço de infecto-contagiosos qualquer.
Ainda assim, e vivendo numa grande cidade, quando me perguntavam a causa da minha doença, enfrentava não um mas dois estigmas, o de ter uma meningite e o de ser eventualmente derivada do bacilo da tuberculose. Aprendi a proteger-me perante quem não tinha conhecimentos para lidar com o meu diagnóstico e deixei de dizer o que tinha, ou dizia que ainda não tinham descoberto ( que não era mentira nenhuma ) e que desconfiavam de uma doença genética ( que também não era mentira para o diagnóstico de sarcoidose ). Deixei de chocar os outros e deixei de sofrer o estigma de ver que as pessoas não me olhavam nos olhos, ou falavam comigo afastadas não fosse eu tossir ou coisa do género ( ainda que eu não tivesse nenhuma inflamação no aparelho respiratório e portanto, mesmo que fosse tuberculose não seria transmissível ). Porque infelizmente, vi muitas pessoas curiosas em saber o que tinha, mas muito poucas efectivamente preocupadas comigo.
Esta foi uma das lições de vida que este último ano e meio me trouxe, tenho muitos conhecidos, muitos " curiosos " mas muito poucos amigos. Felizmente não me trouxe mossa, era a atitude que no fundo esperava de muitos, pelo contrário, percebi quem realmente se preocupava comigo e muitas vezes estas foram as surpresas positivas, perceber em quem não esperava amizades genuínas.

17 outubro 2007

Está decidido!

Já tinha pensado nisso e comentado com o meu mais que tudo.
Se tiver de fazer uma próxima punção lombar ( e dado que nessa altura não havendo infecção estou em condições de o fazer ) irei aproveitar o facto de me estar a submeter a tal e faço uma doação de medula óssea.
Pelo menos sofro por um bom motivo.