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01 abril 2009

Fase

Desde há 4/5 semanas que fica a chorar na escola. Começou com o pai, quando passou a levá-la alternadamente comigo para a escola, acto que foi exclusivamente meu até essa altura, salvo uma ou outra excepção. Quando era a excepção, ou seja, quando o pai a levava ela ficava sempre a chorar, comigo nunca ( a não ser no primeiro mês de adaptação à escola, com 14 meses ). Desde que alternamos que deixou de ir alegre. Começou a chorar apenas com o pai e apenas já na escola, entretanto foi de férias para os avós e no regresso já chorava com um e outro ( sendo que com ele a fita é maior, comprovado pelo meu irmão que assistiu ). Já lá vão mais de 3 semanas e o cenário tem sido o mesmo. Eu pensava que ao fim de uma semana, semana e meia, regularizava mas piorou e de manhã diz que não quer ir para a escola, chora, diz que quer ficar em casa, entra na sala e se ainda não está a educadora, regressa para junto de nós no pranto.
Ultimamente, mesmo com a educadora a levá-la pelo colo, não se poupa às lágrimas e eu venho com um sentimento de que qualquer coisa não está bem.
Já a questionei por diversas formas ( directa e indirectamente ) e aparentemente não se passa nada de novo, não há nada que a faça temer, diz que continua a gostar da escola quando a vou buscar e à noite, mas de manhã já diz que não gosta ou que quer ficar connosco.
Tentei investigar e a novidade na escola foi mesmo o facto da turma do 2/3 anos ter sido " distribuida temporariamente " dado que a educadora está em final de gravidez, sendo que tem novos colegas na sala mais novos. A turma cresceu de 15 para 22 salvo erro ( a sala dela é a dos 3/4 anos ).
Quando chega e vê poucos colegas do " bibe amarelo " ( da sala dela e colegas mais antigos ) diz que não quer ficar que não chegaram ainda os amigos.
Ora resumindo e concluindo, no fundo teve 4 alterações à rotina:
1 - deixei de ser eu a levá-la sempre para ser alternadamente com o pai;
2 - passou a entrar mais cedo na escola ( que no meu trabalho andam a controlar como " cães " os atrasos );
3 - a turma cresceu, com muitos meninos mais novos que ela ( alguns bem mais novos, apesar de terem passado os mais velhos da outra sala do 1/2 anos );
4 - teve 1 semana de férias nos avós pelo meio.
Já falei com a educadora que garantiu de que nada de mais se passava ( já que ela de eu tanto insistir e na falta de mais argumentos do que o " porque sim ", me disse que os amigos não brincavam com ela ) a não ser as alterações à rotina que mencionei. Frisou que ela não é muito adepta de mudanças na rotina e era apenas isso que se passava. Disse ainda que era também uma questão de mimo, que quer o colo da educadora sempre que assim é e que se cala de seguida. Que algumas crianças tem estas " crises " na passagem dos 3 para os 4 anos e que não lhe parecia que nada de mais se passasse.
Tranquilizei-me, voltei a falar com ela, a perguntar se estava tudo bem, se havia alguma coisa de que não gostasse na escola, se gostava da escola, da educadora, das auxiliares, se os colegas brincam com ela, etc.
- Gosto da escoua. Não gosto quando não estão uá os meus amigos do bibe amareuo; gosto muito da Ana; oh mãe os meus couegas são meus amigos; os do bibe amareuo brincam comigo, os do bibe vermeio ( da sala dos 4/5 ) não, só o Dani ( o primo ).
Nesta última não acredito muito porque já a vi muitas vezes a brincar com meninas da sala dos 4/5 anos.
Enfim, vamos esperar que seja só mesmo fruto das mudanças de rotina e do tal " salto de crescimento " dos 3 para os 4 anos. Até lá, mudamos os planos e já não a vamos inscrever no jardim escola público este ano. Se bem que as hipóteses de entrar fossem mínimas, não a iriamos sujeitar a mais uma mudança, não agora, na fase em que está, para mudar de educadora, auxiliares, colegas, etc e perder todas as referências que tem. Talvez para o ano, aos 5, tentemos, até lá, ainda que me custe muito pagar o colégio, lá se vai aguentando.

26 fevereiro 2009

Rotinas ao deitar

- Dorme bem meu amor/ princesa.
- Tu também, mãe.
- Gosto muito de ti, muito, muito ( e beijocas à mistura ).
- Eu também gosto muito de ti. Minha amiiiigaaaaaaa.

Agora a novidade:
(...)
- Gosto muito de ti, muito, muito ( e beijocas à mistura ).
- Eu também gosto muito de ti. Amo-te !
- Eu também te amo muito filha.

Coisa boa, pá!

20 novembro 2008

As nossas manhãs ( desde sempre )

Vou acordar-te... não queres, ou acordas por ti e choras porque não queres acordar.
Não queres sair da cama.
Converso, falo meiguinho. Fechas os olhos com força, tapas a cara com a fralda, finges que não me ouves, às vezes pedes para dormir mais um bocadinho.
Chega a hora em que não dá para te deixar mais na ronha. Toca a levantar, vamos fazer xixi, vá. Começa o choro e os berros, isto se já não começou antes quando te tentei acordar. Já fico indiferente a esta birra, levanto-te como se estivesses calminha, caladinha e bem comportada. Levo-te à casa de banho, xixi, lavar o pipi e ir vestir. O lavar a cara fica para o final porque lavar-te a cara nesta fase é deitar alcoól numa fogueira. Às vezes não queres fazer o xixi e passamos à parte de lavar. Depois o xixi vem antes de saires de casa e já não há tempo de lavar novamente.
Vestir e o choro e berro é em modo continuo desde que acordaste ou desde que saiste da cama. Vestir à força a roupa que escolhi de véspera, contigo a fugir de mim, a puxares uma perna quando te calço a collant, a não querer enfiar o braço na manga, a não querer que a camisola passe pela cabeça e ai: cuidado com os meus brincos, é verdade. Tu lá vais chorando e berrando e eu continuo geralmente calada que não vale a pena falar-te nesta altura, desgasto-me e não me ouves. Vestes o que eu escolhi e eu indiferente aos não gosto desta roupa, calças, camisola, sapatos, etc. Pelo meio há os bás ( que antes foram e até não gosto de ti ). Suponho que bá é a forma que tem de exteriorizar a irritabilidade sem palavras " ofensivas ".
Passamos para a sala para pentear e aí é o verdadeiro drama. Por isso esta é a parte em que geralmente o faço de televisão ligada nos desenhos animados, geralmente do baby tv que é os que ainda ligas alguma coisa. Spray desembaraçante, escova, ganchos à mão ( que ultimamente não te faço tótós nem nada do género que demoraria muito mais tempo a correr atrás de ti e a puxar-te por um braço à força, a prender-te entre as minhas pernas para não fugires novamente ) e aqui, já a reclamar contigo, a prender-te com as pernas e a ameaçar-te que o teu rabinho fica mais quente se não paras. Paras e berras desalmadamente mas quase sem lágrimas.
Estás penteada e com os ganchos colocados. Ficas sentada no sofá e aqui de um momento para o outro deixas de chorar, gritar e espernear. Supostamente " larguei-te ".
Vou buscar o pacote de leite que tem de ser com chocolate e da agros, caso contrário não bebes e o babete. Ponho-te o babete, dou-te o leite as há dias em que não queres leite ( e já foi todos os dias, já é só esporadicamente ). Queres iogurte? Vá despacha-te, já nos estamos a atrasar? Não queres nada e quando assim é enfio-te um iogurte boca adentro e nestes casos recomeça o choro.
Quando queres o leite bebes sozinha enquanto eu consigo ter uns minutos sem choros nem berros para beber o meu café com leite.
No final, lavar a cara a correr e os dentes e lá vem a birra outra vez porque não queres lavar a car nem os dentes. Com isto já estás novamente despenteada.
Acaba a lavagem e vestir o casaco contigo a dar os ultimos choramingos da birra. Passo a escova no cabelo a correr e abro a porta. Já te calaste mas espera mãe que quero levar um boneco para a escola ou um livro ou um CD. Fico à espera com a porta aberta e o vá despacha-te, já estamos atrasadas ( e já estamos mesmo ). Não te decides por o que queres trazer e lá vou à força obrigar-te a escolher um rápido ou a vir embora sem nenhum. Se vens sem nenhum, recomeça o choro e a birra, que acaba chegadas ao carro.
Depois vais no carro a falar como se nada fosse e como se te tivesses portado impecavelmente. Repreendo-te, pergunto-te porque o fazes e só dizes : Eu já não vou portar-me mal. Eu já estou a portar-me bem.
Depois começa o reportório de perguntas até à escola, de cantigas a duas e eu esqueço o quão mal te portaste... até à manhã do dia seguinte.

13 outubro 2008

Dona de casa desesperada

Vivo o " drama " da minha amiga de perto, mãe a tempo inteiro, com 2 filhas, uma com 30 meses, outra com 6, ambas em casa a tempo integral, ou seja, sem escola para deixar nenhuma delas pelo menos umas horas por dia. Está estafada e queixa-se da falta de tempo para quase tudo pois entre resolver uma birra, dar de mamar a outra, preparar o almoço e mudar fraldas das duas fica ela por " tratar " e a casa que, apesar de estar em casa, quase não consegue fazer nada para se desdobrar na atenção pelas duas filhas e nos seus cuidados básicos de alimentação e higiene. É certo que esta minha amiga nunca foi uma pessoa muito activa mas consigo perceber que para se estar a tempo inteiro com as duas filhas, sendo que uma delas ainda é amamentada, não deixa muito espaço para as roupas por lavar estender e passar, a casa por arrumar e limpar e a loiça por lavar, principalmente porque até aqui nunca quis criar grandes regras e rotinas e foi a falta delas que gerou o caos. Tenho-lhe dito que pode ser muito cansativo mas é essencial criar rotinas, o deitar a horas decentes, o banho mais ou menos na mesma altura do dia e a sesta. Em vez disso as únicas regras mais ou menos fixas são a das horas de refeições que tudo o resto vai-se fazendo conforme há tempo.
A falta de rotinas e de regras nota-se bastante na filha mais velha, que pela excessiva permissividade até hoje, não consegue que ela esteja sem desarrumar tudo, chorar, fazer birra ou gritar meia hora por dia. Chega a ir buscar roupa às gavetas para atirar para o chão ou para brincar que vai passá-las a ferro e ela não o impede. Repreende e retira-lhe das mãos mas começa o choro e as roupas voltam às mãos da pequena. É de loucos!
Não sou grande apologista do bater para educar, mas o caso dela chegou aos extremos e nem bate nem castiga, repreende com o mesmo tom de voz com que premeia e ao mínimo contrario ela chora, berra, bate com os pés faz birra. Essa minha amiga diz que a já a pôs de castigo no quarto mas que sai do mesmo sítio e um dia fechou-a até no quarto para que não saisse e mandou pontapés na porta e objectos contra a mesma. Quando lhe perguntei o que fez perante esta atitude da filha diz que abriu a porta porque já não aguentava ouvi-la chorar. Diz que chega a estar quase 2 horas a chorar até que a mãe cede. Já lhe disse que tem de fazer valer um não ou um castigo e eliminá-lo a meio não produz efeitos, pelo contrário, faz alimentar ainda mais as birras porque a criança percebe que se chorar, berrar, etc consegue o que quer. Ela está esgotada e por ter a mais pequena, não consegue impor os castigos ( que só agora lhos começou a infringir ) até ao fim porque implica choros e berros que podem acordar a mais nova e passam a ser 2 a chorar e não 1.
Não ajuda o facto do marido ter 2 empregos para manterem esta opção de vida de ela estar em casa, restando muito pouco tempo para que pelo menos à noite dividam tarefas e ela consiga, quanto mais não seja, cuidar da casa.
Gosto muito dela e custa-me não só vê-la estafada como ver a " pequena ditadora " de quem também gosto muito, sem regras e a adoptar um caminho em que tudo lhe é permitido, sem perceber os limites que encontra não só na infância mas por toda a sua vida.
Este é o espelho de uma boa parte das crianças dos nossos dias e esta imagem preocupa-me pelos adolescentes e adultos que se irão tornar.

27 março 2008

Adormecer

Há uns tempos iniciei uma nova rotina para a adormecer. Deixei de me deitar com ela ( ou o pai ) e de a deitar na nossa cama ( e isso era quase sempre o paizinho que fazia ), mas tinha sempre de ficar sentadinha no banquinho IKEA ( maravilha )ao lado da cama dela até que adormecesse. Sempre que acordava de noite ( e sempre foi assim ) começava a chorar até que um de nós lá fosse. Não saia da cama, apesar de já desde Agosto dormir na cama grande. Sempre tentei que adormecesse sózinha na cama dela mas nada tinha resultado, nem música calma, nem muitas explicações, nem a luz acesa, nada, tinha de ficar alguém com ela, quase sempre eu e não o pai.
A conversa de que era crescida e que os meninos crescidos não adormeciam com os pais ao lado estava sempre presente mas mesmo assim ela dizia que era crescida mas queria que eu ficasse ali " xó um cadinho " e o bocadinho era só até adormecer, caso contrário chorava. Como adormecia relativamente depressa depois da histórinha não me preocupei e deixei andar.
Há uns dias ( porque parece que o desfralde nocturno está consolidado, já que não acho produtivo que ocorram várias adaptações ao mesmo tempo ) comecei a tentar novamente que fosse ficando sózinha porque andava a demorar cada vez mais tempo para adormecer e comigo sempre a repreendê-la: Dorme Beatriz, fecha os olhos, assim vou para o meu quarto...
Perante todas as anteriores tentativas frustradas ( não tentei a do chorar sem parar que não consigo nem quero ) para que adormecesse sózinha decidi comprar o Livro " O meu livro de dormir " com o tal sistema de recompensas das estrelinhas por cada vez que conseguem cumprir os objectivos ( Ir para a cama cedo, Respeitar as rotinas, ficar quieto na cama e por último, dormir a noite toda; este último deve conseguir lá para os 5 anos, digo eu optimista, lol ). Ficou muito entusiasmada e a primeira noite, a da surpresa, correu muito bem. Pensei que o entusiasmo diminuiria e que no dia seguinte as estrelinhas já não tinham graça. Tem funcionado, apesar do livro não ter nada de novo que já não lhe tivesse explicado, gosta que lho leia e principalmente, fica na cama quieta e sem chorar só para receber uma estrelinha no dia seguinte ( às vezes tenho de dar na própria noite mas isso são detalhes ).
Assim sendo, a rotina antes de dormir é a de vestir o pijama, lavar os dentes, fazer xixi, lavar o pipi e rabo e dar um beijinho ao pai. Depois ajeito-lhe a roupa da cama, dou-lhe um beijinho de boa noite e ela dá-me um a mim, conto-lhe uma história ( às vezes tem de ser duas quando a primeira é curta )e no final da história relembro que vou para o meu quarto mas se precisar é só chamar ou ir até lá. Concorda, fica na cama e adormece em menos de nada e depois é só ir apagar a luz.
Melhor ainda é que uma destas noites quando acordou em vez de começar a chorar à espera que lá fossemos veio ela, sem chorar até junto de nós.
Falta dormir a noite toda mas com isso já só sonho lá para os 4/5 anos:)

18 outubro 2007

Linda menina!

Todas as noites a conversa do costume:
- Vai arrumar os brinquedos para ires dormir.
Todas as noites ela dizia que não ou pedia-me ajuda. Acabava por arrumar sempre mas quase sempre sob insistência de um de nós e com a nossa ajuda também.
Ultimamente tem arrumado os brinquedos todos ao final do dia, sózinha, sem a minha ajuda e no final diz :
- Já está agumado. Beijinho mãe/pai ( conforme o que se vai deitar com ela ), bou fajê ó-ó.
A cama nova fez milagres.
Linda menina!