7h00- o Nuno acorda-me e agora não há cá mais 5 minutos e mais 5 e mais 5...
Vou tomar o pequeno almoço para ir acordando devagar. Abro os estores no máximo e abro a janela da cozinha para deixar entrar o sol da manhã e ouvir os pássaros que cantam.
Aqueles 5 minutos a sós com a minha torrada, o café com leite e o " Bom Dia Portugal " sabem muito bem. Prolongo o " sossego mental " lavo a loiça do pequeno almoço, arrumo a manteiga, o açúcar e vou fazer a minha higiéne pessoal e " tratar de mim ".
Entretanto o Nuno já acordou a Beatriz, tempo para lhe dar uns beijinhos de bom dia enquanto ele a veste e lhe dá o leite e eu me visto. Não visto nunca a parte superior porque os vomitados e bolsados são uma constante e assim poupo a roupa e não perco tempo a voltar a vestir-me e pior, a escolher outra roupa de manhã.
Faço a minha cama e a da Beatriz.
Ele sai, é tempo de preparar o leite das gémeas. Coloco as esperguiçadeiras paralelas com os babetes e a almofada no chão, A televisão está no Panda, no Jim Jam ou na RTP2 para a Beatriz ver.
Vou buscá-las e trago-as ( ainda ) uma em cada braço para as respectivas esperguiçadeiras na sala. Sento-me no chão, coloco-lhes os babetes e dou os 2 biberões em simultâneo.
Raramente bebem tudo sem uma pausa para arrotar ou sem espernearem ou sem uma ou outra bolsar ou vomitar. Geralmente os últimos 50 mls de cada uma tem de ser dados no colo, a uma de cada vez, ou não bebem. Aliás, os últimos 50 mls seja quando for, geralmente só eu consigo que bebam.
Volto a colocá-las a arrotar e se não bolsaram ou vomitaram na pausa do meio, fá-lo-ão agora. Nem o anti-regurgitante as safa, de manhã é quase sempre certo que sai uma parte para fora.
Tempo de limpar o sofá e/ou a carpete e/ou a esperguiçadeira que ficou suja.
No entretanto lido com uma ou outra birrita ( que às vezes é birrona ) matinal da Beatriz, ou com uma crise sentimentalista de que quer ficar em casa, ou ir para o trabalho comigo, ou ir para as tias, ou, ou...
Vou vesti-las, limpar a cara o pescoço, as mãos, colocar a água de colónia. Volto a colocá-las na sala, nas respectivas cadeiras auto, junto da Beatriz já de casaco vestido a verem desenhos animados e acabar de me vestir ( a camisa, camisola ou vestido ). Vou à garagem levar a mala das bebés, a minha mala, a mochila da Beatriz e o saco do meu almoço. Levo a cadela comigo, abro-lhe o portão da garagem e deixo-a ir à solta à rua enquanto arrumo as coisas.
Volto para casa despeço-me da cadela e fecho a porta da cozinha.
Agarro nas 2 cadeiras e lá vamos as 3 até à garagem. Abro logo o portão e coloco as 3 no outro lugar de parqueamento sempre com a ordem expressa da Beatriz não sair de onde está.
Chego o carro à frente pois não consigo abrir as portas o suficiente para colocar os dois ovos no banco de trás. Volto a desligar o carro que tenho paranóia com os dioxido de carbono e as garagens e coloco os cintos nas 3. Apertar o 3º cinto já é tarefa relativamente morosa .
Sento-me no meu lugar, olho o relógio: Boa, temos tempo.
Pelo caminho vou conversando com a Beatriz ( que entretanto as birras já passaram e ela está como se nada se tivesse passado ), vamos cantando ou conversando sobre " as coisas do teu trabalho " e " as coisas da minha escola ".
Uns 8 a 10 minutos depois chegamos à escola, estaciono mesmo em frente do portão, tiro a beatriz do carro e corremos até à porta da sala dela enquanto a auxiliar que está ao portão me dá um olho nas bebés que ficam no carro. Ela quer sempre que a leve à porta da sala.
Colocamos a mochila e o casaco no cabide, muitos beijinhos e abraços e a educadora vem à porta da sala recebê-la e cumprimentar-nos.
Vou novamente a correr até ao carro, agradeço à simpática auxiliar e volto a olhar o relógio. Pelo caminho vou falando ou cantando para as bebés.
Mais uma paragem uns 7 minutos à frente para deixar as bebés na minha tia, que entretanto já me espera no patamar do prédio. Mais 2 beijinhos e volto a sentar-me no banco do condutor. Respiro fundo, ligo o rádio. Esperam-me pelo menos mais uns 20 minutos ( sem trânsito ) de condução.
10h00 ( ou um pouco antes ) chego ao escritório, bebo um café e sento-me à secretária. Supostamente o meu dia começa ali, mas na realidade, ele já começou intensamente, há 3 horas atrás.
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27 abril 2011
14 agosto 2009
Das manhãs de Agosto
Acordar às 8.45 e chegar ao trabalho às 9.30, até me parece mentira mas tem acontecido :)
16 julho 2009
Manhã de choro
Esta semana começou a praia pela escola mas nesta semana ela não iria. Até ontem esteve com a avó e tia que estiveram de férias e hoje regressaria à escola mas como a educadora e colegas estão na praia iria para a creche.
Foi a baba e ranho de manhã que não queria ir para os bébés, que não queria dormir na creche, que já era crescida para ir para a creche, que os bébés lhe batiam e ela não lhes podia bater de volta, etc etc etc.
Liguei à minha tia e fica hoje e amanhã com ela.
Foi a baba e ranho de manhã que não queria ir para os bébés, que não queria dormir na creche, que já era crescida para ir para a creche, que os bébés lhe batiam e ela não lhes podia bater de volta, etc etc etc.
Liguei à minha tia e fica hoje e amanhã com ela.
05 junho 2009
Quase de férias
E a precisar mesmo delas. Esta manhã, acordo às 9.12 com a Beatriz a estranhar e a dizer-me:
- Mãe, hoje é fim semana ( que ela não põe o de e eu acho um piadão ).
- Ahh. Aiii eu vou chegar tão atrasada...
Mensagem para o chefe a avisar, lavar a correr, vestir a miuda a correr, beber o leite a correr. A miúda naquela confusão não quer ajudar e começa uma mini-birra, travada com o meu feitiozinho que eu não estava para birras.
Saimos a correr, eu não trago casaco e no preciso momento que a tiro do carro começa a chover... boa.
Vinda a correr dentro do que a chuva permitia que lençóis de água pelo caminho foram mais que muitos. Vá lá que não estava trânsito e às 10.15 entro ao serviço, com 45 minutos de atraso, menos mal, aliás, muito bom, dado que 1 hora depois de acordar estava no trabalho e só de trajecto são pelo menos 30 minutos. Com as pressas não trago almoço. Saio para ir comer na minha (1/2) hora de almoço, chove e eu sem casaco.
Dado o horário flexível, hoje saio mais tarde. Logo hoje que tenho tanto para fazer.
- Mãe, hoje é fim semana ( que ela não põe o de e eu acho um piadão ).
- Ahh. Aiii eu vou chegar tão atrasada...
Mensagem para o chefe a avisar, lavar a correr, vestir a miuda a correr, beber o leite a correr. A miúda naquela confusão não quer ajudar e começa uma mini-birra, travada com o meu feitiozinho que eu não estava para birras.
Saimos a correr, eu não trago casaco e no preciso momento que a tiro do carro começa a chover... boa.
Vinda a correr dentro do que a chuva permitia que lençóis de água pelo caminho foram mais que muitos. Vá lá que não estava trânsito e às 10.15 entro ao serviço, com 45 minutos de atraso, menos mal, aliás, muito bom, dado que 1 hora depois de acordar estava no trabalho e só de trajecto são pelo menos 30 minutos. Com as pressas não trago almoço. Saio para ir comer na minha (1/2) hora de almoço, chove e eu sem casaco.
Dado o horário flexível, hoje saio mais tarde. Logo hoje que tenho tanto para fazer.
19 maio 2009
Atitude pouco refletida ( ou nem sempre se age da melhor forma )
Esta manhã o mesmo " fandango " para acordar e vestir. Às tantas começa a " sacudir " as moscas e para isso confesso que tenho pouca paciência.
Depois de a avisar digo-lhe:
- Eu tenho de ir trabalhar, vou-me embora e ficas cá.
Finjo que saio abrindo a porta e fechando e depois vou para o quarto dela escolher os ganchos ( não fui esconder-me fui mesmo buscar os ganchos ). Ela correu para a porta e como não me via pensou mesmo que eu tinha saído. Começou a chorar e a gritar aflita a bater na porta e a dizer:
- Eu quero a minha mamã.
Sai do quarto dela e calou-se mas estava muito assustada.
Arrependi-me porque não pensei que a minha atitude a deixasse tão aflita, aliás, pensei que ela me fosse chamar ou procurar pela casa.
Abracei-a disse que não tinha gostado do comportamento dela, pediu-me desculpa e tranquilizei-a dizendo-lhe que nunca a deixaria só.
A birra foi-se mas eu fiquei com a imagem da aflição dela na minha mente.
Depois de a avisar digo-lhe:
- Eu tenho de ir trabalhar, vou-me embora e ficas cá.
Finjo que saio abrindo a porta e fechando e depois vou para o quarto dela escolher os ganchos ( não fui esconder-me fui mesmo buscar os ganchos ). Ela correu para a porta e como não me via pensou mesmo que eu tinha saído. Começou a chorar e a gritar aflita a bater na porta e a dizer:
- Eu quero a minha mamã.
Sai do quarto dela e calou-se mas estava muito assustada.
Arrependi-me porque não pensei que a minha atitude a deixasse tão aflita, aliás, pensei que ela me fosse chamar ou procurar pela casa.
Abracei-a disse que não tinha gostado do comportamento dela, pediu-me desculpa e tranquilizei-a dizendo-lhe que nunca a deixaria só.
A birra foi-se mas eu fiquei com a imagem da aflição dela na minha mente.
28 janeiro 2009
A propósito das nossas manhãs
Pai: - Amanhã não te vou levar à escola, é a mãe que vai.
Beatriz: - Está bem. Vai dizer porra.
Eu: - Quem é que vai dizer porra?
Beatriz: - Tu!
Eu: - Ah pois digo, deve ser o que mais digo de manhã é isso, lol.
É um facto, em stress digo muitas vezes Porra!
Beatriz: - Está bem. Vai dizer porra.
Eu: - Quem é que vai dizer porra?
Beatriz: - Tu!
Eu: - Ah pois digo, deve ser o que mais digo de manhã é isso, lol.
É um facto, em stress digo muitas vezes Porra!
27 janeiro 2009
Manhãs
Como já descrevi anteriormente, as minhas manhãs são sempre turbulentas. A miúda tem mau acordar e eu também e se está em dia não ( que comigo de manhã é 99% das vezes ), não quer acordar, não quer vestir aquela roupa, não quer despir, não quer lavar a cara, os dentes, não quer beber leite, quer ver desenhos, depois não quer aqueles, quer beber o leite na sala, depois já não quer leite, quer iogurte,etc.
A semana passada o pai conseguiu que 2 ou 3 vezes por semana, alteraria o horário por forma a entrar mais tarde ( e sair mais tarde também ) e nessas vezes ele leva-la-ia à escola. Fiquei feliz, confesso, que atire a primeira pedra quem não se importasse de TODOS OS DIAS ter manhãs como as minhas.
Com ele a coisa tem corrido bem, aliás, até acorda a rir e acorda mais cedo do que comigo e porquê? Porque o pai ora veste as calças dela na cabeça dele e diz que é um coelho, ora põe a perna da calça para a frente e diz que é um elefante, ora lhe veste as collants nos braços, etc.
Eu confesso, de manhã não tenho tempo nem paciência para estas brincadeiras. Faço muitas " palermices " do género, mas depois de estar bem acordadinha, na primeira hora após o despertador tocar, não, aliás, nessa primeira hora pouco falo.
Já percebi que a falta de colaboração dela e mau humor se deve à minha falta de colaboração de manhã ( quem sai aos seus... ). Teria de me por com palhaçadas e dado que acordo já depois do suposto, o tempo não dá para nada. Quanto mais apressada estou menos ela colabora, mas lá está, não consigo acordar antes pelo cansaço.
Eu fico feliz por nesses 2 ou 3 dias, não chegar atrasada ao trabalho e nenhuma de nós sai de casa em stress logo pela manhã.
A semana passada o pai conseguiu que 2 ou 3 vezes por semana, alteraria o horário por forma a entrar mais tarde ( e sair mais tarde também ) e nessas vezes ele leva-la-ia à escola. Fiquei feliz, confesso, que atire a primeira pedra quem não se importasse de TODOS OS DIAS ter manhãs como as minhas.
Com ele a coisa tem corrido bem, aliás, até acorda a rir e acorda mais cedo do que comigo e porquê? Porque o pai ora veste as calças dela na cabeça dele e diz que é um coelho, ora põe a perna da calça para a frente e diz que é um elefante, ora lhe veste as collants nos braços, etc.
Eu confesso, de manhã não tenho tempo nem paciência para estas brincadeiras. Faço muitas " palermices " do género, mas depois de estar bem acordadinha, na primeira hora após o despertador tocar, não, aliás, nessa primeira hora pouco falo.
Já percebi que a falta de colaboração dela e mau humor se deve à minha falta de colaboração de manhã ( quem sai aos seus... ). Teria de me por com palhaçadas e dado que acordo já depois do suposto, o tempo não dá para nada. Quanto mais apressada estou menos ela colabora, mas lá está, não consigo acordar antes pelo cansaço.
Eu fico feliz por nesses 2 ou 3 dias, não chegar atrasada ao trabalho e nenhuma de nós sai de casa em stress logo pela manhã.
21 novembro 2008
Para compensar
Hoje de manhã não fez birras. Fez uma mini-birra ao pentear, mas nada demais. Esqueci-me que à sexta, dia de ginástica que começa logo às 9h30, tem vezes que não faz birras.
Retiro o que disse e as birras não são de segunda à sexta sempre, são de segunda à quinta sempre ( ou quase sempre ) e às vezes também à sexta.
Depois de sair de casa não parece a mesma, aliás, o resto do dia não é a mesma menina do início da manhã. Claro que faz as suas birras, mas não me posso queixar.
Já de manhã, nem vale a pena comentar.
Retiro o que disse e as birras não são de segunda à sexta sempre, são de segunda à quinta sempre ( ou quase sempre ) e às vezes também à sexta.
Depois de sair de casa não parece a mesma, aliás, o resto do dia não é a mesma menina do início da manhã. Claro que faz as suas birras, mas não me posso queixar.
Já de manhã, nem vale a pena comentar.
20 novembro 2008
As nossas manhãs ( desde sempre )
Vou acordar-te... não queres, ou acordas por ti e choras porque não queres acordar.
Não queres sair da cama.
Converso, falo meiguinho. Fechas os olhos com força, tapas a cara com a fralda, finges que não me ouves, às vezes pedes para dormir mais um bocadinho.
Chega a hora em que não dá para te deixar mais na ronha. Toca a levantar, vamos fazer xixi, vá. Começa o choro e os berros, isto se já não começou antes quando te tentei acordar. Já fico indiferente a esta birra, levanto-te como se estivesses calminha, caladinha e bem comportada. Levo-te à casa de banho, xixi, lavar o pipi e ir vestir. O lavar a cara fica para o final porque lavar-te a cara nesta fase é deitar alcoól numa fogueira. Às vezes não queres fazer o xixi e passamos à parte de lavar. Depois o xixi vem antes de saires de casa e já não há tempo de lavar novamente.
Vestir e o choro e berro é em modo continuo desde que acordaste ou desde que saiste da cama. Vestir à força a roupa que escolhi de véspera, contigo a fugir de mim, a puxares uma perna quando te calço a collant, a não querer enfiar o braço na manga, a não querer que a camisola passe pela cabeça e ai: cuidado com os meus brincos, é verdade. Tu lá vais chorando e berrando e eu continuo geralmente calada que não vale a pena falar-te nesta altura, desgasto-me e não me ouves. Vestes o que eu escolhi e eu indiferente aos não gosto desta roupa, calças, camisola, sapatos, etc. Pelo meio há os bás ( que antes foram má e até não gosto de ti ). Suponho que bá é a forma que tem de exteriorizar a irritabilidade sem palavras " ofensivas ".
Passamos para a sala para pentear e aí é o verdadeiro drama. Por isso esta é a parte em que geralmente o faço de televisão ligada nos desenhos animados, geralmente do baby tv que é os que ainda ligas alguma coisa. Spray desembaraçante, escova, ganchos à mão ( que ultimamente não te faço tótós nem nada do género que demoraria muito mais tempo a correr atrás de ti e a puxar-te por um braço à força, a prender-te entre as minhas pernas para não fugires novamente ) e aqui, já a reclamar contigo, a prender-te com as pernas e a ameaçar-te que o teu rabinho fica mais quente se não paras. Paras e berras desalmadamente mas quase sem lágrimas.
Estás penteada e com os ganchos colocados. Ficas sentada no sofá e aqui de um momento para o outro deixas de chorar, gritar e espernear. Supostamente " larguei-te ".
Vou buscar o pacote de leite que tem de ser com chocolate e da agros, caso contrário não bebes e o babete. Ponho-te o babete, dou-te o leite as há dias em que não queres leite ( e já foi todos os dias, já é só esporadicamente ). Queres iogurte? Vá despacha-te, já nos estamos a atrasar? Não queres nada e quando assim é enfio-te um iogurte boca adentro e nestes casos recomeça o choro.
Quando queres o leite bebes sozinha enquanto eu consigo ter uns minutos sem choros nem berros para beber o meu café com leite.
No final, lavar a cara a correr e os dentes e lá vem a birra outra vez porque não queres lavar a car nem os dentes. Com isto já estás novamente despenteada.
Acaba a lavagem e vestir o casaco contigo a dar os ultimos choramingos da birra. Passo a escova no cabelo a correr e abro a porta. Já te calaste mas espera mãe que quero levar um boneco para a escola ou um livro ou um CD. Fico à espera com a porta aberta e o vá despacha-te, já estamos atrasadas ( e já estamos mesmo ). Não te decides por o que queres trazer e lá vou à força obrigar-te a escolher um rápido ou a vir embora sem nenhum. Se vens sem nenhum, recomeça o choro e a birra, que acaba chegadas ao carro.
Depois vais no carro a falar como se nada fosse e como se te tivesses portado impecavelmente. Repreendo-te, pergunto-te porque o fazes e só dizes : Eu já não vou portar-me mal. Eu já estou a portar-me bem.
Depois começa o reportório de perguntas até à escola, de cantigas a duas e eu esqueço o quão mal te portaste... até à manhã do dia seguinte.
Não queres sair da cama.
Converso, falo meiguinho. Fechas os olhos com força, tapas a cara com a fralda, finges que não me ouves, às vezes pedes para dormir mais um bocadinho.
Chega a hora em que não dá para te deixar mais na ronha. Toca a levantar, vamos fazer xixi, vá. Começa o choro e os berros, isto se já não começou antes quando te tentei acordar. Já fico indiferente a esta birra, levanto-te como se estivesses calminha, caladinha e bem comportada. Levo-te à casa de banho, xixi, lavar o pipi e ir vestir. O lavar a cara fica para o final porque lavar-te a cara nesta fase é deitar alcoól numa fogueira. Às vezes não queres fazer o xixi e passamos à parte de lavar. Depois o xixi vem antes de saires de casa e já não há tempo de lavar novamente.
Vestir e o choro e berro é em modo continuo desde que acordaste ou desde que saiste da cama. Vestir à força a roupa que escolhi de véspera, contigo a fugir de mim, a puxares uma perna quando te calço a collant, a não querer enfiar o braço na manga, a não querer que a camisola passe pela cabeça e ai: cuidado com os meus brincos, é verdade. Tu lá vais chorando e berrando e eu continuo geralmente calada que não vale a pena falar-te nesta altura, desgasto-me e não me ouves. Vestes o que eu escolhi e eu indiferente aos não gosto desta roupa, calças, camisola, sapatos, etc. Pelo meio há os bás ( que antes foram má e até não gosto de ti ). Suponho que bá é a forma que tem de exteriorizar a irritabilidade sem palavras " ofensivas ".
Passamos para a sala para pentear e aí é o verdadeiro drama. Por isso esta é a parte em que geralmente o faço de televisão ligada nos desenhos animados, geralmente do baby tv que é os que ainda ligas alguma coisa. Spray desembaraçante, escova, ganchos à mão ( que ultimamente não te faço tótós nem nada do género que demoraria muito mais tempo a correr atrás de ti e a puxar-te por um braço à força, a prender-te entre as minhas pernas para não fugires novamente ) e aqui, já a reclamar contigo, a prender-te com as pernas e a ameaçar-te que o teu rabinho fica mais quente se não paras. Paras e berras desalmadamente mas quase sem lágrimas.
Estás penteada e com os ganchos colocados. Ficas sentada no sofá e aqui de um momento para o outro deixas de chorar, gritar e espernear. Supostamente " larguei-te ".
Vou buscar o pacote de leite que tem de ser com chocolate e da agros, caso contrário não bebes e o babete. Ponho-te o babete, dou-te o leite as há dias em que não queres leite ( e já foi todos os dias, já é só esporadicamente ). Queres iogurte? Vá despacha-te, já nos estamos a atrasar? Não queres nada e quando assim é enfio-te um iogurte boca adentro e nestes casos recomeça o choro.
Quando queres o leite bebes sozinha enquanto eu consigo ter uns minutos sem choros nem berros para beber o meu café com leite.
No final, lavar a cara a correr e os dentes e lá vem a birra outra vez porque não queres lavar a car nem os dentes. Com isto já estás novamente despenteada.
Acaba a lavagem e vestir o casaco contigo a dar os ultimos choramingos da birra. Passo a escova no cabelo a correr e abro a porta. Já te calaste mas espera mãe que quero levar um boneco para a escola ou um livro ou um CD. Fico à espera com a porta aberta e o vá despacha-te, já estamos atrasadas ( e já estamos mesmo ). Não te decides por o que queres trazer e lá vou à força obrigar-te a escolher um rápido ou a vir embora sem nenhum. Se vens sem nenhum, recomeça o choro e a birra, que acaba chegadas ao carro.
Depois vais no carro a falar como se nada fosse e como se te tivesses portado impecavelmente. Repreendo-te, pergunto-te porque o fazes e só dizes : Eu já não vou portar-me mal. Eu já estou a portar-me bem.
Depois começa o reportório de perguntas até à escola, de cantigas a duas e eu esqueço o quão mal te portaste... até à manhã do dia seguinte.
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