14 novembro 2007

Découpage




Não, não se enganaram no link. Aprendi découpage ou a técnica do guardanapo na festa de final de ano da escola da Beatriz, no atelier de pintura. Não tentei mais porque sinceramente nunca me achei dotada para as artes manuais, mas de facto, esta técnica é tão simples que até o mais desajeitado dos seres consegue fazer qualquer coisinha engraçada.
Um destes dias comecei a pensar nas prendas de Natal. Como quase sempre, há que reduzir despesas e limitar as prendas a valores mínimos. Gosto que as prendas de Natal digam algo às pessoas, gosto de personalizar e só gosto de comprar quando sei que a pessoa gostará mesmo do que receberá.
Como as prendas personalizadas exigem que se planeie com mais antecedência porque há que encomendar comecei a pensar no que oferecer à educadora e auxiliares da Beatriz sem ser os tradicionais bombons ou velas. Olhei para a nossa máquina de fondue de chocolate que continua intacta e lembrei-me que a dita tem umas forminhas para se fazerem bombons. Pensei que seria engraçado oferecer bombons feitos por ela ( com a minha ajuda obviamente ). Para que não houvessem dúvidas tiraria uma foto nossa na confecção dos ditos que anexaria ao embrulho. Depois pensei onde colocar os bombons. Fui a uma loja de chineses e comprei uma caixa de madeira baratinha. Pensei em pintá-la e lembrei-me de usar da técnica que tinha aprendido. Comprei um guardanapo e experimentei. A primeira experiência teve um resultado mau porque aprendi que não se devem usar cores escuras na base da decoupage e eu usei, nada mais nada menos que castanho chocolate. Mais escuro mesmo, só preto :).
Depois disso já comprei mais 4 caixinhas pequeninas para as auxiliares que terão no seu interior apenas um chocolatinho feito por nós e 2 tabuleiros de madeira. Ainda não estão concluídos mas já dá para terem uma ideia.
Para além de ficar relativamente económico e de ser de rápida execução descobri uma verdadeira terapia.

13 novembro 2007

Sózinhos em casa

A filha foi de combóio ( com a tia claro ) para casa dos avós e nós estamos os dois, em estado de enamoramento, sózinhos em casa.
Eu pensava que com o tempo me habituava a estar sem ela e que já não ia custar nada. Custa menos que da primeira vez, mas custa sempre ( e vai me custar mais ainda quando de manhã eu não ouvir a sua vozinha a chamar por mim ).
Ontem enquanto arrumava a mala dela pensava nas mil e uma coisas que poderiam acontecer e meti os medicamentos possíveis e imaginários das doenças possíveis e imaginarias de que poderia precisar ( como se não houvessem farmácias por lá ), coloquei o dobro das mudas de roupa necessárias para o caso de como anda mais distraida, fizesse xixi, pus casacos quentes e casacos mais frescos, camisolas mais frescas e mais quentes e o resultado foram 2 malas de roupa para 4 dias fora.
A cada peça arrumada era a nostalgia de não a ter perto, porque uma coisa é passar uma noite em casa da minha mãe que é já ali e outra é estar a 100 kms de distância.
Faz-lhe muito bem a ela porque convive com os primos, tios e avós mais intensamente porque apesar de irmos frequentemente lá é sempre a correr e nunca dá para estar com todos. Faz-nos bem a nós que dormimos melhor ( e agora até nem nos podemos queixar ), namoramos mais e dedicamo-nos mais enquanto casal. Faz-me bem a mim, porque a cada ida relembro que é e será sempre a minha filha, mas também é e será sempre sobrinha, neta, prima, amiga.
Custa-me sim, mas sei que é tão bom para ela ( e ela adora ) que só temos ( todos ) a ganhar com isso.

12 novembro 2007

Hoje

Na escola sou recebida pela antiga educadora e peço para dizer à educadora Ana que até ao final da semana não irá mais ( já que agora não nos deixam estar à porta da sala porque a confusão com os miudos instalava-se com a chegada dos pais ).
Quando chama a Beatriz ouço a educadora Ana dizer que quer falar comigo. Como é de poucas palavras fiquei logo a " medo " ( coisas de mãe ).
Vem com ar satisfeito dizer-me que a Beatriz se tem portado muito bem e que estava a pensar a partir de amanhã retirar as fraldas da cesta pois acorda sempre seca e pede imediatamente para fazer xixi. Digo-lhe que em casa também não molhava as fraldas da noite mas que voltou a fazê-lo e que por isso ainda não iria tentar as da noite, mas concordei com tentarmos tirar as da cesta. Pediu para que no resto da semana o fizessem e que tivessem em atenção para que não houvesse regressões ( pois vai para casa dos avós passar o resto da semana com a tia que estará de férias e no meio da agitação e das alterações de rotina é normal que se descuide ).
Elogia-a e diz que tem estado impecável tanto no desfralde como no comportamento, pede-lhe um beijinho e retribui-lhe uns quantos e eu venho de lá a " pingar " baba pelo queixo.
Como é que uns xixis no sitio certo nos fazem delirar é que eu estou para entender. Coisas de mãe :)

Perguntas e raciocinios

Fico pasmada com os racíocinios que faz.
Outro dia foi comigo à farmácia do hospital. No balcão estavam vários montes de documentos ( facturas, guias de remessa, etc ). Pergunta-me se aquele era o trabalho da senhora.
Outro dia de manhã diz-me que não quer ir para a creche e que quer ir para casa da avó.Digo-lhe que está a trabalhar e prontamente me diz que então quer ir para casa da avó velhinha porque a avó velhinha está doente e não trabalha. Apesar de numa dada altura ela saber que eu estava doente nunca lhe disse que não ia trabalhar, pelo contrário, sempre disse que ia para que não quisesse deixar de ir para a creche.
Sabe que os avós são nossos pais sem nunca lho termos dito, apenas porque nos ouve chamar mãe/pai. Sabe que os tios são pais dos primos da mesma forma.
É perspicaz e curiosa. Faz imensas perguntas e geralmente, a resposta a uma pergunta suscita-lhe outra dúvida. Ouve atenta e muitas vezes repete a pergunta para que repitamos a resposta até que entenda ou que aquilo " encaixe " na sua cabecinha.
Um dia destes viu o meu penso higiénico colocado nas cuecas e tive sérias dificuldades em explicar o que era aquilo e para que servia. Pensei em dizer que era uma fralda mas na fase em que está dizer-lhe que eu, crescida tinha fralda não me parecia nada bem. Disse-lhe que estava a deitar sangue, mas que não me doia e que ia passar no dia seguinte. Contentou-se com a resposta e eu fiquei aliviada porque realmente não sabia como dizê-lo a uma criança de 2 anos, principalmente a uma criança de 2 anos que conta TUDO o que se passa cá em casa se puxarem por ela ( e às vezes nem precisam de puxar ).
Já tem algumas noções temporais, por exemplo, sabe e aplica o amanhã e o hoje.
As últimas questões complicadas tem sido acerca de Jesus e da Nossa Senhora. Tudo começou porque a minha avó tem um fio com um crucifixo. Perguntou o que era e a minha avó disse-lhe que era Jesus, o Nosso Senhor. Depois disto em Santiago de Compostela na Catedral viu imensas imagens e perguntava quem eram. Iamos lendo os nomes e iamos dizendo e muitas vezes acompanhava a pergunta com um:
- Ahh, é tão uindooo!
Reconheceu Jesus.
Não somos de ir a igrejas, raramente vou a missas, tenho fé, sou cristã, católica porque nunca conheci outra religião. Pratico a minha fé à minha maneira, falo com Deus e com Jesus mas não necessariamente nos locais de culto. Fiz apenas a primeira comunhão porque um dia ia receber a Óstia e um padre negou dar-ma porque eu, com 12 anos e corpo de criança ainda, fui de cavas até ao altar. A partir daí não quis mais saber da educação cristã, apesar de ter casado pela igreja e baptizado a minha filha.
De volta ao assunto, só em Santiago de Compostela viu Jesus na cruz. Desde aí, sempre que passamos por igrejas pergunta se está lá Jesus e a Nossa Senhora. Pede para entrar e ir ver. Associa o aspecto exterior de uma igreja " à casa de Jesus ". Na Covilhã entramos numa delas e ficou impressionada com as feridas de Jesus. Perguntou quem fez aquilo ao Jesus e onde estavam. Pede-me para cantar músicas de Jesus. Isto realmente não sei onde foi buscar pois na escola não cantam músicas bíblicas, aliás, a escola é laica e acho bem, no sentido de que cada um seguirá o seu caminho, sem influências.
Um destes dias viu um livro infantil sobre o nascimento de Jesus e disse imediatamente que era um livro de Jesus e que queria a história do Jesus. Não lha comprei.
As perguntas dela começam a exigir respostas que a minha pouca educação bíblica não lhe consegue dar. Já não me lembro de muitas das histórias bíblicas e por isso, este fim de semana comprei-lhe uma Bíblia para criancinhas para lhe dar no Natal.
Cresce mais devagarinho filha, não tenhas pressa!

11 novembro 2007

Dia de S. Martinho

Dia de castanhas, água pé ( ou jeropiga ) para os adultos, de saltar fogueiras, dia quente e noite fria. Lembro-me que na casa da minha vizinha ( que sempre a tratei assim mas que era quase uma tia ), beirã, se cozinhava geralmente cabrito ou borrego e eu só não jantava lá em casa nessa noite porque não gostava de nenhuma das iguarias. Era compensada com uma tapioca ou um arroz doce feito por ela e uma tigela de marmelada ou geleia de marmelo. Lembro-me de em criança saltar a fogueira, uma fogueira baixinha que não era muito aventureira. Depois, na adolescência e idade adulta, porque passei a viver numa cidade e onde mal conhecia os meus vizinhos, nunca mais se saltou à fogueira nem se estava à conversa na rua com a vizinhança até às tantas.
Há pouco mais de ano e meio voltei à freguesia onde morei até aos 11 anos. Há pouco fui à rua passear a cadela e no ar está um fumo imenso, um cheiro a lenha queimada, ouvem-se vozes de adultos e risos de criança, ouve-se música. Procuro de onde vem tanto fumo e vejo que vem dos quintais aqui e ali, um pouco por todo o lado.
Imagino que também eles irão saltar à fogueira e lembro-me de imediato de tudo o que descrevi. Não vou saltar à fogueira porque ao contrário da minha infância em que quase em cada rua, a festa era pública, aqui são " festas particulares ", mas comemora-se felizmente, que eu há coisas em que gosto de manter as tradições, ainda que adaptadas à realidade actual.
Só este ano conheci a lenda do Verão de S. Martinho, numa das revistas " pedagógicas " que compro.
Este ano comi castanhas assadas no forno eléctrico acompanhadas por uma tisana gelada. O ano passado bebi uns 10 mls de água pé em casa da minha mãe e já não consegui trazer o carro para casa ( tsss... fracota ).
Gostava que daqui a uns anos, também a minha filha associasse o dia de S. Martinho a convívio, a festa e a partilha e que não seja apenas um dia como os outros. Para o ano quero ver se combino com qualquer casal amigo com filhotes e com quintal para ver se fazemos uma festarola, ainda que "privada ".

09 novembro 2007

Como te chamas?

Quando lhe perguntam o nome responde :
- Tiz B...
Se lhe pergunto o nome completo/todo diz:
- Biatiz de C..., M..., B... ( certinho com o de e tudo ).

Observadora

Vem ter comigo, aponta para a camisola que eu tinha vestida e pergunta-me:
- É do Noddy?
Digo que não e ela aponta um pouco mais abaixo e volta a fazer a mesma pergunta.
Olho para onde tem o dedo e vejo que aponta para a letra N.
Respondo-lhe:
- Ahh sim filha é a letra N de Noddy, muito bem.
Contente volta a apontar para o local inicial que também tinha uma letra N e diz que é do Noddy.
Depois aponta para o O e para o D e diz que também era do Noddy.
Fico toda babada e encho-a de beijos.
Nunca tentamos ensinar-lhe as letras, fê-lo apenas por memória visual.

08 novembro 2007

6/11/07

Com temperaturas a rondar os 27ºC e um final de dia passado na praia que até deu para molhar os pés na água fresquinha da Praia da Torre.
Pena foi ter acabado o dia com o pai no hospital com taquicardias e crises de pânico/ansiedade, mas ainda assim, foi um dia bem passado contigo meu amor.

Fim do dia na praia

07 novembro 2007

" Novas " notas musicais

Dó, guê, mi, á, xóue, uá, ui... ( Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si ).

Nós por cá

Um pai com crises de ansiedade a precisar urgentemente de parar ( a nível de trabalho ), uma filha com diarreia novamente e a queixar-se da boca, uma cadela que reivindica uma atenção que não consigo nem tenho paciência para lha dar e uma mãe como se sabe, a gerir isto tudo.
" Vamos andando ".

05 novembro 2007

Nem tudo foi bom no fim de semana

Senti na pele a marginalização a que uma pessoa com uma doença fora do comum é vetada pela " ignorância " dos outros.
Passo a explicar, a terapeuta antes de me iniciar a massagem de drenagem linfática pergunta-me o porquê de tomar cortisona ( pois foi a retenção de líquidos provocada pela dita que me levou à marquesa ). Digo-lhe que tenho uma meningite mas que não se sabe a origem ( bláblá blá ). Sinto que só ouviu a parte do " meningite " e ficou em pânico.
Não me diz nada e interrompe por 3 vezes a massagem, sai 2 vezes da sala e na outra vez batem à porta.
Pergunta-me em pânico se é contagioso uns largos minutos depois de eu lhe ter explicado e de máscara na mão pergunta-me se eu me importo que coloque a máscara. Explico tudo resumidamente mais uma vez, digo que não é contagioso que não é uma meningite meningocócica e que tinha uma filha de 2 anos que nunca poria em risco caso fosse contagioso.
Não deixou de pôr a máscara e devo dizer que aquilo mexeu comigo, abateu-me, fez-me sentir que realmente eu era portadora de uma doença perigosíssima e que poderia estar a por em risco a vida das centenas de pessoas com quem tenho convivido ao longo destes meses. ( Não é nada, mas enfim ).
O resto do dia foi passado num estado de espírito um pouco depressivo, com aquela imagem na minha cabeça dela de máscara na boca . Compreendo e aceito que não tenham de conhecer a doença, nem acreditar nas minhas palavras e que tentem como podem e sabem proteger-se, mas a sensação causada no suposto " foco transmissor " é terrivelmente dolorosa.
Depois dei 2 estalos psicológicos a mim mesma, levantei o nariz lá para cima e segui para outra mas deu-me uma nova prespectiva de como se sentem as pessoas com doenças contagiosas ou invulgares.
Não consigo explicar, mas é mau, realmente mau.

Gaba-te cesto...

A maioria das crianças da idade da Beatriz ( ou aproximada ) são tímidas. Chamar-lhe-ia quase uma fase porque de facto é um denominador comum.
Ela não é tímida, tem os seus momentos que passam quase tão depressa quanto chegaram. Sorri para quem não conhece, acena às pessoas por quem passa num centro comercial cheio de gente, manda beijinhos, dá beijinhos, fala, puxa conversa, mete-se com outras crianças para brincar( sejam mais velhas, mais novas ou da mesma idade e geralmente as crianças costumam fazê-lo apenas com crianças mais velhas ), cumprimenta as pessoas quando chega a algum lugar mesmo que ninguém esteja a reparar na fedelha de oitenta e poucos centímetros que lá de baixo vai falando até que lhe dêm troco.
É muito confiante nela própria e nisso posso dizer que tem uns quantos genes a quem puxar.
Dá-me cá um orgulho ver que tens uma boa auto-estima, miúda, faz-me sentir que enquanto pais estamos a fazer um bom " trabalho "( também tenho direito a babar)!

( Atenção que não quero com isto dizer que timidez é sinónimo de baixa auto-estima, quero apenas dizer que ela é muito confiante e isso nota-se também pela sua extroversão ).

28 meses ( e um dia )

Basta olhar para ti para saber que és feliz e isso é e será sempre o nosso maior " objectivo ".
Parabéns meu amor !

" Mini-férias - Fim de semana prolongado "

Foram 4 dias a fazer todas as refeições fora ( e que bem se come por lá ), a passear muito ( muitos kms fez o nosso carrinho ), a fotografar muito, com muito sol e bom tempo, com algum fastio da Beatriz e alguma tosse, com uma noite para esquecer com ela a acordar de hora a hora a queixar-se da boca e da barriga, com massagens, banhos turcos, sauna, piscina aquecida e jacuzzi, com idas aos parques infantis que iamos encontrando pelos nossos passeios e com descanso. Ainda conseguimos estar pessoalmente com estes amigos que gostei muito de conhecer. A Lara é uma " criança de revista ", linda, linda, com uns olhos divinais.
Ficou muito por ver porque os dias mais curtos e as estradas da Serra da Estrela dificultam os acessos, mas ficou a vontade de voltar para conhecer o que ficou por ver.

Fim de semana na serra da estrela

31 outubro 2007

Fim de semana prolongado

Daqui a pouco vamos sair para gozar de 4 dias ( que esperemos ) de descanso, lazer e ócio lá para a Beira Interior.
No arsenal levamos a máquina de aerosóis, de vapores e os medicamentos, o normal :)
Bom fim de semana e até já!

Tosse e expectoração

Voltamos aos aerosóis com 1/2 pipeta de Atrovent ( que aparentemente já não lhe fazem conjuntivites ), aos vapores com eucalipto durante o banho e no quarto com a Vapone, ao soro no nariz e à neo-sinefrina, à transpulmina no peito e costas e ao Bissolvon ( Atacamos em todas as vertentes porque o Outono e Inverno passados deixaram-nos calejados ).
Voltei a fazer-lhe as massagens respiratórias ( em casa a dar-lhe as pancadinhas que aprendi enquanto deixa ) e de cada vez que o faço diz-me sempre que são maxagens como o Matim/Patim pois da última vez que estivemos com estes amigos eu fiz-lhe massagens e ela não se esqueceu.

30 outubro 2007

Dela aos quase 28 meses

Isto anda muito mais um diário meu que dela ( acerca dela, para ela, whatever ). Tenho a sensação que daqui a uns anos vai passar à frente das páginas dos últimos meses e dizer-me:
- Que seca, mãe! ( ou outra qualquer expressão do género que se use na altura )
Pois filha, é o melhor que se pode arranjar, pois a mãe não é escritora nem tem pretensões a tal e dá-te por satisfeita de teres tantos detalhes da tua infância registados que de outra forma perder-se-iam nas memórias ( e fica tanto por registar ).
Adiante, tenho me esquecido de registar tanta coisa que tem aprendido que qualquer dia isto não pode ser chamado de diário dela mas sim mensário.
Domina as cores básicas, azul ( ajúlí ), verde ( bêde ), amarelo ( abaréuo ), vermelho ( vemêiu ) e também o preto ( pêto ), cor-de-rosa( cô de goja ), cor-de-laranja( cô de laanja , castanho ( castanho ) e nem sempre, o rôxo ( gôxo ).
Conta até 10 e reconhece os números também até ao 10, se bem que confunda o 6 com o 9. Se colocarmos as peças com os números espalhados reconhece um a um, se lhe pergunto que número é este, responde o primeiro que lhe vem á cabeça sem pensar. Não percebi bem o porquê já que os reconhece.
Sabe qual e a mão esquerda e a mão direita mas nos pés ainda se confunde.
Quando conta objectos começa pelo 2 e não pelo 1, pelo que conta sempre 1 a mais :)
Fala bastante e relativamente bem mas quando está nas brincadeiras dela fala numa linguagem exótica e lá no meio dessa linguagem aparecem umas palavras decifráveis. Eu digo-lhe que não percebo nada do que ela está a dizer e ela não me liga nenhuma, ri-se e continua a falar dessa forma. Acho que é mesmo para eu não perceber.
Canta, encanta-nos e inventa as letras. As invenções também são geralmente na tal lingua estrangeira ( Tenho de gravar ).
Brinca muito sózinha mas está sempre a chamar por mim para ir brincar com ela. Eu vou sempre que posso e no Domingo teve uma barrigada de brincar com a mãe que nos soube muitíssimo bem. Ontem ouvi a notícia de que apenas 6 em cada 100 pais brincam com os filhos. Fiquei surpreendida com os números. De facto ( e não o digo para ficar bem na " fotografia" ) faço parte desses 6 pais que dedicam todos os dias, pelo menos um bocadinho só para brincar.
As brincadeiras favoritas são com os bonecos carecas, a pintar/desenhar, a fazer os puzzles de madeira, a ver e a contar as histórias dos livros e no escorrega.
No Domingo quis que me sentasse na cama dela enquanto ela dançava e cantava para mim ( Xenta na cama, eu bou cantái e danxái). Atirou-se várias vezes ao chão de propósito no meio das danças e ria-se. Se fosse rapaz, diria que tinhas jeito para futebolista, mas como rapariga, não vais longe, filha.
Está vaidosa; quando estreia algo gosta de se ir ver ao espelho e até dá uma meia volta para ver bem como lhe assenta a roupa atrás.
Continua simpática e muito dada, mas também tem dias em que não me larga as saias.
Não liga nenhuma a televisão e desenhos animados a não ser de manhã quando está cheia de sono ( e eu agradeço que assim seja, se bem que de vez em quando me dava jeito que gostasse um pouco ).
Anda numa fase de mãezite e eu numa fase de filhite :)
Anda a comer mal mas isso já não é defeito é feitio. Agora quer que seja sempre eu a dar-lhe e eu como quero é que coma qualquer coisa dou se não é que não come mesmo. Voltamos a ter de picar a carne e o peixe que sua excelência voltou a não querer aceitar os sólidos. Regrediu na alimentação e não sei muito bem porquê.
Não chega aos 11 kilos de gente e deve andar pelos 84 cms, bem pequenina. Calça o 20 :).
É meiga e tão depressa nos dá uns beijos de derreter como arma uma birra de nos fazer tirar do sério. Com ela a palmada não resulta mesmo. Só mesmo o castigo e não digo que não leve palmadas, leva ( poucas mas leva ), mas mais pelo descontrolo nosso do que pela eficácia das mesmas. É que se lhe damos palmada ela retribui e não desiste. E nem eu nem o pai queremos ir batendo até que desista. Quando assim é vai de castigo, não para a cadeira porque essa já está na arrecadação, fica no tapete a pensar no que fez de mal e até que peça desculpa e nos dê um beijinho.
É muito ligada à familia e dá pela falta das pessoas quando passa mais tempo do que é costume sem as ver. Gosta de falar ao telefone mas depois pouco fala. Nunca está parada a falar e ouvir o que dizem, ou está a brincar com qualquer coisa, ou a andar de escorrega ou a desarrumar a prateleira dos livros, tem de estar a mexer. Mesmo " à gaja ".
Adaptou-se bem à nova educadora e nós ( eu e educadora ) também já nos adaptamos.
Gosta da escola mas continua a não gostar do Francisco( Xico ). Por sua vez o Francisco só fala dela em casa e anda sempre atrás dela na creche. Melga ( ehehehe)! Se tem uma borbulha, um arranhão ou uma nódoa negra diz sempre que: Foi o Xico bateu, ou então foi a méuga ( melga - porque faz grandes babas ).
Adora os primos e anda na fase de imitar tudo o que o Daniel ( mais velho 1 ano e 1 semana ) faz, para o bem e para o mal. Dão-se muito bem e acho que nunca se bateram, pelo contrário, andam sempre aos beijos e abraços.
A heroína dela é a Patrícia, a prima, talvez por ser bem mais velha ( tem 14 anos ). Em casa, quando lhe ralhamos ou pomos de castigo chama pelas avós e pela Patrícia.
Agora tem medo do escuro e não entra em divisão nenhuma se a luz estiver apagada. Diz que tem medo. Outro dia disse-me que tinha monstros no quarto.
Está muito mais menina mas ainda consigo ver a minha bébé à noite quando acaba de adormecer e faz aquele barulhinho de chuchar sofregamente na chucha e de manhã, quando ensonada se aninha no meu abraço. Tento gravar na minha memória esses momentos e só me apetece apertar-te e colar-te ao meu peito.
Quando lhe pergunto quem é a minha bébé diz num sorriso malandro: " Xou eu ", mas se lhe pergunto se é bébé diz-me " Não, é mina ( menina )".
E é uma menina tão linda, tão linda, tão linda, pá! ( E eu sou tão babada, tão babada, mas tão babada ).


( E fica sempre sempre tanto por registar )

Desfralde ( Ou post de mero interesse para uma mãe )

De Quarta até Sábado andou de diarreia ( muito líquida ) mas nem por isso ouve qualquer descuido. Uma crescida.
Acho que posso dar o desfralde diurno como conseguido.
Desde há algum tempo que acorda sempre com a fralda da noite seca e logo que acorda faz um grande xixi. Por perguiça minha ( que não quero andar a mudar camas a meio da noite ) e porque ela ainda deixa colocar a fralda, não estou a tentar o desfralde nocturno mas acho que se o tentasse seria bem sucedido. Vamos deixando andar assim.

29 outubro 2007

Há coisas que só entendemos quando somos mães...

Debaixo da minha cama havia um gavetão, feito pelos meus pais onde guardava as tralhas pequeninas.
Lembro-me que de vez em quando a minha mãe de joelhos no meu quarto, puxar o gavetão e começar a fazer a" escolha ". Eu ia sempre a " medo " para junto dela porque sabia que quando ela se lembrava de mexer ali, grande parte dos brinquedos iam fora ( que nem sequer estavam em condições de ser dados ). Bonecas sem braços, com cortes de cabelo radicais, puzzles com falta de peças, mobilias pequeninas partidas, havia de tudo, mas eu achava sempre que os brinquedos estavam bons e custava-me desfazer deles. Havia sempre um ou outro em mau estado que a minha mãe deixava ficar mas o resto ia para o caixote.
Actualmente não sou nada ligada às coisas e não me custa desfazer do que esteja em mau estado ou até daquilo que estando em bom estado não uso e portanto não passa de tralha.
Ontem, como faço com alguma regularidade, comecei a dar volta ao cesto da sala que tem alguns brinquedos dela enquanto dormia. Lembrei-me da minha mãe a escolher os meus brinquedos e desejei que ela não acordasse entretanto. Ela acordou e se bem que a maioria das coisas já tinham sido ensacadas( uns para guardar para um eventual segundo filho, outros para dar e outros para o lixo ), ela começou a brincar com tudo aquilo que estava no chão para ir para o caixote como se fosse o brinquedo mais precioso que tinha. Deixei-a brincar e depois, quando se distraiu com outra coisa qualquer, os brinquedos ( ou restos deles ) tiveram o seu destino.
O cesto ficou bem mais liberto e até acho que assim, com as coisas mais visiveis, irá brincar mais( apesar de ela brincar bastante ) . É que muitas vezes acaba por não brincar com muitos deles porque não os vê.

Para vossa informação

Na ( longa ) consulta de quinta-feira, pedi à neurologista que me receitasse algo para a memória que desde a maternidade não ficou grande coisa, mas que com a doença agudizou. Diz-me que os medicamentos que têm são para a doença de Alzheimer e Parkinson e que não sendo nenhum dos casos não ma iria receitar. Disse também que todos os medicamentos à venda nas farmácias e dietéticas não tem efeitos científicos comprovados e que a comunidade médica neurologista está convencida que não são mais que medicamentos placebos. Quanto muito, poderia dar-me um multivitamínico ( tipo Centrum ). Não costumo ( acho que nunca tomei mesmo ) tomar este tipo de medicamento mas conheço quem faça disto hábito,por isso é bom saber que não tem efeitos comprovados, valem o que valem.
Quanto ao meu caso específico, disse que o cérebro era como um computador, quando abrimos demasiadas janelas ao mesmo tempo bloqueia e que era isso que acontecia comigo neste momento mas que a memória ficava gravada, só não acedia era com a mesma rapidez aos ficheiros.
Receitou-me 1 ou 2 Xanax em caso de SOS que eu disse prontamente que só iria tomar 1 e não 2, em caso de muito muito muito SOS, pois viciada em medicamentos, já eu ando, não preciso de ansiolíticos. Disse-lhe que não tomava os da ansiedade e que também não iria tomar estes.
Riu-se, concordou e disse que eu tenho mau feitio, mas isso não é nenhuma novidade :).