Descobriu a boneca no aniversário. Ofereceram-lhe duas e gostou. Não brinca ainda muito com elas mas gosta de as tirar da prateleira e pentear. No Sábado viu no hiper um modelo em promoção deste tipo de bonecas da branca de neve e acabamos por lhe comprar. Perguntou se era um fantoche ( pelo vestido rodado que tem que dá para esconder a mão por baixo e agarrar na boneca ) e tem sido assim que tem brincado com a boneca. Não tem conta as vezes que já contei a história da branca de neve ( que ela já sabia de cor antes ).
Lembro-me que a minha primeira ( e única )Barbie foi-me oferecida como prenda de passagem de ano, já tinha eu 12 anos. Pouco brinquei porque passado pouco tempo deixei de brincar com bonecas ( e mesmo assim deu para lhe partir o pescoço ) mas lembro-me ainda hoje da ansiedade que tinha em receber a minha Barbie, da loja onde a comprei em conjunto com a minha mãe e do conjunto de roupa que a minha avó me ofereceu e das roupas em lã que me fez para ela. Ter uma Barbie na altura era quase um luxo pelo preço que custava e eu tive a mais baratinha de todas.
Pouco depois surgiu a polémica da estatura da boneca e da sua suposta anorexia mas eu, nos meus 12 recém feitos anos, nunca me interessei por isso, afinal, eu tinha a minha Barbie que tanto desejei e que tanto esperei.
Hoje comprar uma Barbie é banal, como se revelou neste fim de semana em que sem ser ocasião nenhuma especial, lhe compramos uma ( que não é da mattel mas é do género ) e eu recordei-me da minha ansiedade e satisfação que a compra da minha Barbie suscitou em mim.
Se bem que a crise esteja aí em força, o mercado aberto trouxe indubitáveis vantagens com a baixa dos preços de muitos produtos, mas mesmo assim, não deixo de achar que a minha primeira Barbie ( e única como disse ), me satisfez muito mais que à Beatriz.
Gostava que ela sentisse a satisfação de ter algo realmente desejado, esperado, ansiado e merecido. A sensação é tão boa que bate aos pontos os " facilitismos " desta era.