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01 abril 2009

Conversas nossas

A minha avó está internada há 3 semanas numa clínica de fisioterapia. Felizmente está bastante melhor e espera-se que dentre de umas 2 semanas regresse a casa.
Tive algum receio que a minha avó não superasse e já me andava a preparar para o pior e a preparar-me para como abordar o tema com ela, no caso do pior acontecer.
O assunto " morte " não é novo, mas tinha andado " esquecido ". Quando a informamos que a avó estava no hospital perguntou-me:
- Mãe, a avó vai morrer?
- Não sei filha, um dia, sim.
- Pois eua já é veinha e está doente, não é?
Dado que o tema estava a ser tratado com a maior naturalidade e sem qualquer receio por ela:
- Sim. Um dia todos vamos morrer. Não se sabe quando, um dia, quando formos muito muito velhinhos, em princípio.
- Pois é, quando formos muito veinhos morremos e pronto.
- Isso.

Com a maior simplicidade ( dela, que a minha foi um pouco disfarçada e preparada, confesso ), sem qualquer receio, por exemplo de nos perder ( que nestas idades pode ocorrer ), com a naturalidade que de facto o assunto tem, nascemos e morremos...um dia... esperançosamente velhinhos e depois de uma vida muito feliz.

18 novembro 2008

A morte

Tem sido tema recorrente dos últimos dias/semana(s). Já tinha abordado o tema há tempos mas voltou " à baila ".
Pergunta pelos familiares que nunca conheceu, já falecidos, pergunta para onde vão.
Contei a história de que se tornavam em estrelinhas no céu.
Volta e meia há são saídas do género:

- Ai filha, a mãe estava com a cabeça na Lua.
- Então morreste.

E lá tive de explicar que era uma expressão que se usa quando uma pessoa está a fazer algo distraída.

- Mãe, os animais vão ao médico, depois morrem e vão morar numa estrelinha, não é?
- Não, os animais morrem quando estão muito velhinhos ou quando estão doentes, mas às vezes muitos cães e gatos morrem atropelados pelos carros. Por isso temos de ter muito cuidado a atravessar as ruas . Onde é que atravessamos a rua?
- Na passadeira.
- E devemos fazer o quê? Olhar bem ...
- Para um uado e para o outro.

- Nós morremos e depois a nossa casa é na estrelinha, não é aqui , não é mãe?
- Sim é isso filha.

26 setembro 2008

Como?

A cena: de manhã no carro ( voltei a conduzir , voltei a conduzir, voltei a conduzir ) :) :

- Atirei o pau ao gato, to...
Um cão atravessa à frente do carro com ar abandonado e triste e eu paro
- Cuidado com o cãozinho mãe, senão ele assustasse e morde e o carro aueija-o e depois vai para o hospitau e fica morto, não é?
Só fui capaz de lhe responder:
- Mas eu parei para o cãozinho passar, viste? Sabes que não se faz mal aos animais nem às pessoas não é? ( numa de disfarçar a história hospital/morte que não sabia como lhe responder )
- Poi zé!

Esta associação de hospital a morte ( é claro que ainda não tem noção verdadeira da morte ou será que tem? ) só me faz reforçar ainda mais a ideia de que sempre que tenha de ficar internada, não lhe dizer a verdade, pelo menos por enquanto. Sou muito pelo dizer sempre a verdade, explicar, mas não me parece que tenha maturidade para perceber que mesmo indo e estando no hospital eu não vou desaparecer da vida dela.
Começou a " perceber " a morte ao perguntar por familiares já falecidos ( que há já um tempo os laços de família tem feito aquela cabecinha fervilhar, do tipo, quem é o teu avô e quem é o pai do teu avô, etc ) e a explicação que lhe dava quando me perguntava onde estava o meu avô era de que tinha morrido e ido para o céu e que era agora uma estrelinha.