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24 maio 2011

Da futura profissão

Já quis ser médica pediatra, veterinária, advogada, balarina, professora. Agora diz que quer ser ama.

- Mãe posso ser ama das manas e ficar em tua casa a tomar conta delas?
( Ignorando que quando ela trabalhar as irmãs não precisarão de ama ) - Sim filha, mas eu não te posso pagar muito, depois ias receber pouco dinheiro.
- Hummm, e se eu ficasse com mais uma criança em tua casa, assim já recebia mais não era?
- Sim.
- Então é isso, tomo conta das manas e de mais um bebé.
- Mas queres ser ama ou educadora de infância de bebés?
- Ama, para estar em casa, as educadoras vão para a escola e eu não quero.

28 abril 2009

Saídas dela

A minha filha sabe o nome das empresas para as quais trabalho, sabe o nome da empresa onde o pai trabalha e reconhece os logotipos de quase todas as empresas do grupo da mesma. Nunca lhe explicamos e deve ter haver com alguma semelhança visual entre eles que nós não detectamos mas que devem ter sido pensados pelso " srs. do marketing " e que funciona nas crianças.
Sabe os nomes das empresas, sabe mais ou menos quais são as nossas funções mas não sabe " os nomes técnicos ".
Já da avó ( e não fomos nós que lhe dissemos mas a minha mãe que um dia lhe explicou ), sabe que é advogada ( uma das profissões da minha mãe, não " A profissão " ) e ontem, no caminho para uma visita ao Museu da Criança pela escola disse à educadora:

- Sabes, A., a minha avó T. é advogada, uma advogada linda!
A educadora riu-se e não lhe respondeu nada para além do:

- Ai sim?

10 maio 2007

Eu e o meu(s) trabalho(s)

E não digo eu e o(s) meu(s) emprego(s) porque não tenho a sorte de os ter, são trabalhos mesmo. Falo no plural porque sou trabalhadora por conta de outrém das 9 às 17.30 e trabalhadora por conta própria no restante horário. E ser trabalhadora por conta própria implica trabalhar quando é preciso, mesmo que o calendário diga que é feriado ou fim de semana, ou o relógio ao fundo do PC indique que a noite já deu lugar à madrugada.
Já trabalhei para 5 empresas em simultâneo e consegui com isso reconhecimento profissional por forma a que monetáriamente " apenas " trabalhe para 3 com um rendimento superior ao que tinha quando o fazia para 5.
Não trabalho todos os dias para as 3 empresas, mas por vezes, em determinadas alturas do ano ( já que trabalho indirectamente com o Estado e os seus prazos legais ) eu trabalho que nem uma " camela ". Nessas alturas não me posso dar ao luxo de dizer, estou cansada e faço amanhã, não posso sequer pensar em cansaço. A motivação encontro-a não sei onde, mas sei que já consegui trabalhar ininterruptamente e sem dormir durante quase 38 horas. O meu trabalho não é sempre igual, implica pensar, raciocinar para obter soluções, geralmente implicam racíocínios rabuscados, baseados na lógica. Não estão escritos em nenhum manual. É esse trabalho que eu gosto e é esse trabalho que me ocupa durante estes meses do ano. Há 6 anos que por esta altura é assim, há 6 anos que descubro problemas e encontro soluções diferentes. Gosto disso. Gosto de estar embrenhada à procura de uma solução, seguindo um fio condutor de pensamento e quando a encontro, quando todos os outros já desistiram de pensar, quando dizem que o seu cérebro está um molho de bróculos e que nem sequer conseguem já entender a minha explicação do racíocinio, eu sinto-me vitoriosa. Sim, tenho vaidade, a experiência tem me mostrado que sou diferente dos meus comuns colegas de profissão. Dizem-mo sem problemas em admití-lo. Sem falsas modéstias. Gosto do que faço, curiosamente, do que faço por conta própria que me obriga a pensar e a encontrar soluções improváveis, mas também a que exige mais de mim. Há uma veia de investigadora em mim. A minha função por conta de outrém é rotineira e lá de longe a longe implica que se encontrem soluções rápidas, que se resolva sem muitos rodeios e aí, lá estou eu, a " apaga fogos ".
Não vou revelar o que faço, não esquecendo que isto é um espaço público.
Isto tudo porque muitas vezes sinto nos outros que não entendem a minha profissão, os meus sacrifícios de trabalhar horas e horas seguidas. Talvez pensem que quero dar um falso protagonismo a mim mesma, talvez pensem que não há uma necessidade real de o fazer, mas há de facto, porque não tenham dúvidas que nos dias quentes de fim de semana, apetecer-me-ia muito mais estar numa praia, numa esplanada, a dar um passeio ou a brincar com a minha filha que estar em frente a um computador, por mais que goste do que faço. Nestas alturas do ano, sou menos mãe, mas o rendimento que aufiro com o meu esforço permite-nos ter uma vida " menos má ". Dá-me realização profissional e um rendimento que ( infelizmente ) não podemos dispensar. De qualquer forma, expondo-me aos fundamentalistas da maternidade, eu não me sentiria realizada sendo só mãe, porque sou também mulher e profissional, porque em 29 anos de vida, apenas em 9 não estudei ( e seria uma falta de auto-estima se não aproveitasse o que aprendi ) ou se calhar, porque no fundo, gosto do que faço. " Whatever! "