Uma amiga minha, que não é desde sempre, mas que estimo muito, já mãe quando eu o fui pela primeira vez e assistente social disse-me no dia seguinte em que tive a minha filha, depois das felicitações:
- Algumas vezes vais ter vontade de a " atirar contra a parede ", é normal sentires isso, o que não é normal é fazê-lo.
Nunca me esqueci e foi se calhar dos melhores ensinamentos que tive até hoje, mais a mais vindo de uma pessoa com alguns conhecimentos de psicologia e que lida de perto com casos violentos que envolvem famílias.
O " atirar contra uma parede " é óbvio que é uma hipérbole, mas entendi a mensagem, haverá vezes, momentos, em que sem saber o que se fazer perante os maus comportamentos, em que não se consegue ter o discernimento para encontrar qual a melhor " estratégia pedagógica " para resolver a questão, no quente da questão, " apeteça " resolver de forma violenta, ainda que possa não resolver nada.
Quis me ela dizer que os filhos nos levam aos limites, ao limite do amor, da condescendência, da compaixão, do deslumbramento, mas também ao limite da paciência do qual não podemos imiscuir-nos, virar costas ou resolver a questão " à pancada ", mesmo que algumas vezes seja essa a vontade.
Continuo a tentar resolver as questões com conversas, castigos, medidas " mais pedagógicas " do que a palmada, mas também recorro a ela, ainda que quase sempre, pense antes de o fazer, não com " medo da segurança social ", ou do que pensarão os outros, mas sim, porque continuo a acreditar que a " porrada " não é o melhor " método de ensino ", ou então, a geração dos nossos avós e dos nossos pais ( e um pouco da nossa também ) seria só de pessoas educadas, bem formadas, de bom carácter, o que não é de todo verdade. Sim, por vezes a palmada acalma, alerta, fá-los tirar do " transe " em que não ouvem nada, por excepção, não por regra. E digo isto numa fase difícil da educação da minha filha, o que só por si é ainda mais duro de aplicar. Falo por experiêcia de caso e não pelo que vejo fazer, pelo que alguém fez com o seu filho e resultou. É muito mais difícil na hora não dar a palmada, pensar em como resolver. Até ao momento tenho conseguido, mas não tem deixado de ser um grande exercício para a minha calma e paciência. Ao ponto de até a dona da escola, que tem colégio há 20 anos e que antes foi ama me disse um destes dias:
- Você tem uma paciência...
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14 abril 2009
23 novembro 2007
Laços
Conheço-a como ninguém, mas ela também me conhece da mesma forma. Lê-me os estados de espírito, as inquietudes, as dúvidas e reconforta-me mesmo quando aparentemente eu não preciso desse reconforto. E espanta-me esta nossa ligação quase mágica, espanta-me como sabes como ninguém o que se passa na minha cabeça.
Ontem quase não falamos na consulta e nas " novidades ". Foi mais um:
" Olha, tem de ser mais uma punção porque parece que os edemas estão piores" e pronto, ficamos por aí, porque já nem sei o que diga nem me apetece falar sobre isso. Eu estava bem ( e estou ) porque ainda não assimilei, ri como riu todos os dias, brinquei como brinco todos os dias, tudo dentro da normalidade. Ela sentiu, percebeu, sei lá eu explicar e quando a levei para o banho convidou-me:
- Vamos tomar banho as duas mãe, vamos?
Sabe que adoro tomar banho com ela e nada como um bom banho relaxante, para tranquilizar corpo e mente. Claro que um banho a duas é tudo menos relaxante e acabei por não tomar porque na hora H, apareceu o padrinho dela.
Mas vale pela intenção, pela doçura e pela confirmação, mais uma vez,de que a nossa ligação é tão especial.
Ontem quase não falamos na consulta e nas " novidades ". Foi mais um:
" Olha, tem de ser mais uma punção porque parece que os edemas estão piores" e pronto, ficamos por aí, porque já nem sei o que diga nem me apetece falar sobre isso. Eu estava bem ( e estou ) porque ainda não assimilei, ri como riu todos os dias, brinquei como brinco todos os dias, tudo dentro da normalidade. Ela sentiu, percebeu, sei lá eu explicar e quando a levei para o banho convidou-me:
- Vamos tomar banho as duas mãe, vamos?
Sabe que adoro tomar banho com ela e nada como um bom banho relaxante, para tranquilizar corpo e mente. Claro que um banho a duas é tudo menos relaxante e acabei por não tomar porque na hora H, apareceu o padrinho dela.
Mas vale pela intenção, pela doçura e pela confirmação, mais uma vez,de que a nossa ligação é tão especial.
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