Mostrar mensagens com a etiqueta consequências. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta consequências. Mostrar todas as mensagens

14 novembro 2008

Sem óculos um boi parece-me um pássaro

Saí de casa à pressa, não encontrava os meus óculos e já atrasada para a aula de ginástica dela, fui sem óculos. A distância não é muita, 5 minutos de carro. ( E todos os dias agora há coisas de que não sei, andei sem telemóvel 5 dias, não saber das chaves do carro, de casa, etc )
No regresso tive de ir aos CTT e passo por uma escola. Percebi que a escola estava fechada, vi uma concentração de pessoas cá fora ( e passei a uns 10 metros deles se tanto ) tinham cartazes mas não conseguia sequer ver se tinham alguma coisa escrita, nem os vultos das letras, para mim tinham cartazes vazios.
Não stressei, lá fui aos CTT ( que a minha dificuldade de visão é essencialmente ao longe ) e regressei intrigada com a manifestação.
Agora vejo as notícias e vejo que foi um protesto nacional.
Felizmente que aquela hora e nesta zona, quase não há trânsito.

27 outubro 2007

Das consultas...

Andaram a iludir-me ao longo destes 2 meses. Sempre me foi dito que recuperaria a visão logo que os edemas estivessem curados.
Segunda fui à oftalmologista e recebo um :
- Os edemas estão praticamente curados, parabéns!
Por incrível que pareça não fiquei feliz e porquê? Porque vejo mal e se os edemas estão praticamente curados e eu vejo mal, quer dizer que tenho de lidar com esta incapacidade. Fiz a questão directamente à oftalmologista e à técnica que me fez os testes e responderam-me com cara de pena que não me podem dar certezas de nada. Ainda posso recuperar ligeiramente, se vou ou não ficar com visão dupla e se irei ou não ver melhor do que agora é uma incógnita a que só o tempo poderá dar resposta. Não quis desmoralizar logo na altura e tentei não pensar nisso, até quinta-feira, dia da consulta com a neurologista.
Quinta-feira mostrei a retinografia e diz-me o mesmo, que está praticamente curado, ainda tenho edema bilateral que ainda irá recuperar mas saber se irei recuperar ou não a visão é uma incerteza. Acontece que a pressão intra-craniana na altura em que estive com o excesso de líquido cefalorraquidiano fez com que os neurónios que " revestem " o nervo óptico ficassem pressionados e tivessem sido " empurrados " para o espaço ocular. Com essa pressão ocorreram os edemas e os derrames e pode ter ocorrido a morte dos neurónios ou apenas o seu traumatismo. Os neurónios não se regeneram tal como as células da pele, resta saber se ocorreu a " morte " ou apenas o " traumatismo " dos mesmos. Se morreram não há hipótese a não ser conformar-me, uma palavra que detesto, se estão traumatizados, então ainda há uma esperança que recuperem. Não há operação possível, a não ser talvez, daqui a uns anos, com as células estaminais. Desmorenei ali mesmo no consultório, por me terem mentido ( e disse-o claramente ), por poder ficar assim, por o meu trabalho exigir tanto da minha visão e da hipótese de fazer o quê o resto da minha vida, do que estudei para ter a profissão que tenho e desempenhá-la da melhor forma e poder ter de passar a vida a fazer algo que não gosto só porque o que gosto não consigo fazer .
Apeteceu-me crucificar o meu destino, destilei raiva e senti-me traída. Pior que uma verdade dolorosa para mim é uma mentira piedosa para supostamente me protegerem. Não protegeram nada e eu preferia à partida lidar com a verdade de poder ficar com uma visão deficiente do que pensar que iria recuperar a visão e agora ter de lidar com esta minha incapacidade.
Uns diziam-me para não perder a esperança, outros para me conformar, mas eu não consigo aceitar e nem que tenha de correr o mundo mas eu vou continuar a fazer o que gosto profissionalmente e não vai ser isto que me vai limitar.
Sou teimosa, muito teimosa e recuso-me a desistir. Entre o conformar-me e o ter esperança, escolhi continuar a ter esperança e fé, apesar de me ter zangado um bocadinho com o Senhor de lá de cima.

17 outubro 2007

Coitadinha v/s Valentona

Fico a pensar se eu não ganharia mais se enfrentasse a doença e as consequências com choro, queixinhas, cara fechada e algum teatrinho. Chego a pensar que há quem julgue que nunca estive muito mal e que não entendem o porquê de ainda estar de baixa. A cara alegre e o bom humor parece que não são compatíveis com uma doença de foro neurológico. Tive de explicar por A+B que a visão distorcida, desfocada e às vezes dupla, não ajuda para quem trabalha com números, para quem tem de analisar e comparar folhas e folhas cheias de números pequeninos e alternar a vista entre o monitor do pc e as folhas de papel, fazer contas, rácios e claro, não errar, porque basta um número mal digitado para encrencar tudo. Tive de explicar que estar mais de 2 horas seguidas em frente ao computador ainda é uma miragem, quanto mais 8, nem falei nas dores nas costas.Tive de explicar que apesar de estar há quase 2 meses em casa, não deixei de trabalhar como trabalhadora independente, ainda que a um ritmo muito inferior, imposto por estas mesmas consequências. Tive de o explicar a quem o deveria saber à partida.
Eu devia aprender a ser mais queixinhas, ou não me serve de nada esta minha maniazinha de me " meter à valente ", mas não consigo ser de outra forma, eu só me queixo quando as dores ou o incómodo é insuportável e o meu conceito de insuportável é indubitavelmente alargado.
Não quero com isto que digam que sou ou fui muito corajosa, que passei por muito e tal porque eu sei melhor que ninguém pelo que passei, mas também não quero que ponham em causa se isto me fez ou não mossa. Eu sou assim, eu não gosto de me queixar, não ganho nada com isso mas sou assim e pronto.
A cada punção me perguntavam se doía muito. Sempre disse que doía, nunca disse que doía muito, porque para mim, o conceito de doer muito é o mesmo que dizer que as dores foram tantas que me fizeram chorar de desespero, sentir que já não aguentava mais, entrar em colapso nervoso, perder o controlo e isso nunca me aconteceu e portanto, não sou capaz de dizer que dói muito. Digo sempre, custa, mas aguenta-se,mas também disse que preferia passar por outro parto como o da minha filha, depois de 10 horas de dores contínuas sem anestésicos do que fazer outra punção ou voltar a ter as horríveis dores de cabeça que já tive. Pelo menos o motivo das dores era um bom motivo.
Quando a questão é posta por alguém que uma constipação leva à cama, irrita-me ainda mais, entristece-me.
Conseguiram enfurecer-me, afastar-me da calma e tranquilidade com que andava. Tiraram-me do sério.

01 outubro 2007

Mudou o tempo

E eu sinto uma moínha na zona das punções. Não posso dizer que é dor, mas é quase a mesma sensação de quando tinha a agulha espetada nas costas enquanto me tiravam o líquido.
Já me disseram que é comum e que durante um tempo sou capaz de sentir em cada mudança de tempo.
Ganhei um " avisador meteorológico ".

14 setembro 2007

1ª consequência

Hoje voltei a fazer o exame oftalmológico. O edema da vista direita está curado, o da esquerda mantêm-se mas já com sinais de melhoria também. Como consequência e tal como notei durante esta semana, a miopia aumentou, aliás duplicou, passou a 2 diopritas e passei a ter também nesta vista astigmatismo que é para não se rir da outra que já tinha. É provável que durante o tratamento ainda volte a ter alterações na graduação e também é provável que quando o edema da outra vista passar, também a minha graduação tenha um salto destes. Ou seja, quando acabar este " degredo " ( expressão usada pelo meu marido que acho graça ), estou uma pitosga de primeira.
Mas se as consequêcias forem só mesmo estas, então já posso dizer, bem à portuga, que tive sorte ( porque temos a tendência de ver sorte em tudo, batemos com o carro: tiveste sorte em não te aleijar, uma criança cai: teve sorte em não partir a cabeça, and so on... ).